Este ano, o extenso e engraçado grupo acolheu mais uma pessoa, a Sofia.
Para quebrar a rotina fomos primeiro a uma nova ilha: as Flores.
A casa em que ficámos na Fajãzinha era linda, enquadrada num imenso vale onde corriam ribeiras e cascatas pelas escarpas. Fazia-me lembrar Aranza. A casa era duma idosa simpatiquíssima: a dona Teresa.
As pessoas da ilha diziam simplesmente quando lhes pedíamos boleia para casa:
-É o sítio mais bonito da ilha.
Falando-vos da Fajãzinha posso dizer que nela correm lebres e coelhos e que na aldeia que hoje em dia tem 80 pessoas e já teve 534, há uma igreja enorme com uma torre e sinos, a mercearia do sempre simpático sr. Baldes, uma pequena drogaria e o restaurante "Pôr-Do-Sol" onde comemos no primeiro dia. No dia em que chegámos, fomos à Lagoinha, um sitio lindíssimo, todo verde, com floresta a limitar os contornos do lago que ainda era bem grande. A Lagoinha era onde uma imensidão de cascatas acabava, sítio a visitar.
No segundo dia fomos a um lugar com o nome de Fajã Grande. Era um caminho de 4 km a pé, coisa pouca. Não havia praia, apenas um porto e piscinas naturais. Optámos pelo porto. Com uma água meio quente tomámos o primeiro banho nos Açores. De seguida fomos à poça do bacalhau tomar banho com a água da cascata a cair-nos em cima, e cobras de água por baixo.
No dia seguinte fomos da Fajã Grande a Ponta Delgada, num percurso de 10 km. A caminhada acabou no porto da vila.
A água estava quente, tão quente que atraíra águas vivas, que por acaso davam choques e, ainda por acaso, me picaram. A dor era insuportável, eu gritava, agoniado, esperando uma cura para aquilo. Passados uns minutos não doía.
Ao romper da aurora do dia seguinte, eu, o meu pai, a Mariana e o Paulo Basílio fomos de casa até ao Lajedo (gajedo, para a cambada), numa caminhada de 9km que começava numa subida tipo estrada de pedra muito íngreme com muitos miradouros inventados à pressa. Passava pelo Mosteiro e outras terrinhas completamente desabitadas. No caminho viam-se ratos gigantes mortos, gengibres enormes a entrar pelo caminho dentro e uma vista fabulosa sobre a rocha dos Bordéus (património da Humanidade pela UNESCO). Nesse dia fomos infelizes para casa, pois não tivemos o privilégio de tomar banho de água salgada. Em casa conversámos e decidimos ir à ribeira mais próxima. E aí, não via a ilha das Flores mas sim Aranza. Era igual. A água límpida e transparente deixava o fundo de seixos desmentido, eirós e peixes completamente descobertos no fundo do riacho. Pela zona da maior queda de água viam-se trutas e algas dançando ao som da pequena queda de água. Lindo e por isso recomendável. Nesse dia à noite fomos tocar os grandes sinos da igreja local. Que barulho que faziam os sinos!
No dia seguinte fomos novamente à Fajã Grande. O mar amainara e não se avistavam ao longo da costa ondas. Sem as partículas de algas e plancton a tapar o fundo ganhava aquele lugar uma vida que não pensámos existir. Tudo se via: pequenos peixes nadando de um lado para o outro, escondendo-se de quem se aproximava, pequenos e médios sargos que até se conseguiam agarrar, peixes camuflados na grossa areia negra, caranguejos agarrados ao porto, e os sítios onde antes saltávamos pensando não existir rocha.
Do porto viam-se também quedas de água imponentes, e campos verdejantes que não ofereciam passagem nem ao mais astuto alpinista.
No dia seguinte zarpámos cedo em direcção à Fajã de Lopo Vaz, desta vez fomos de carro.
De cima a Fajã oferecia uma riquíssima vista sobre o Atlântico. Uma descida acentuada e comprida por entre as ramagens verdes e os frutos vermelhos de cada arbusto, os troncos escorregadios de pequenas árvores e os riachos gélidos que corriam por toda a parte. A descida findava numa pequena casa com ananases e papaias, com arassas e bananas e com uma imensa
praia de areia negra e porca. A areia escaldava, as "dunas" cheias de um cheiro nauseabundo, garrafas de plástico, bidões, chinelos e até cocos. Era a encarnação perfeita de uma lixeira. A praia não oferecia a possibilidade de um grande banho mas... A Matilde, sem nunca entrar no mar, construía sem cessar uma coisa qualquer com folhas de bananeira secas e pequenos troncos. A praia feia e triste obrigou-nos cedo a fugir.
Pela tarde desse dia fomos com as velhas à ribeira, foi um fascínio.
No dia seguinte voltámos novamente à Fajã Grande pois era o único sítio que sabíamos ser agradável.
Foi o último dia nessa ilha.
texto em construção

4 comentários:
Ehhh também quero ir a essa Fajãzinha e à ribeira que parecem Aranza! :) Quiçá se da 4ª vez não levas a tua priminha! ehehe
Continuas a descrever muito bem tudo o que vês e sentes, Pêzinho. Continua!
Entretanto lá estaremos na grande Festa do Avante :)
Meu querido - estas férias melhoraram em grande a tua escrita-já não encontro erros e a forma como escreves e descreves está fantástica. Adorei e também eu gostava de ver esse bocadinho de Aranza nos Açores. Talvez seja necessário levar um suplemento alimentar...
Já sei que a dor foi terrivel!!!
Muitos beijinhos Teresa
´Es lindo meu querido e tal como dizem os comentarios anteriores tás a escrever muito bem ...quanto ao blog tens de meter o sitemeter para ver donde te clickam e uma ligaçao aos blogs da famelga ...o da tatouna, da ana e da clara e do miguel.
Meu querido, gostei muito de ler a história das Flores! Espero que acabes o teu texto porque estás a ir muito bem!
Muitos beijinhos
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